Brasileira! – Parte 2 | Europa

Passei por uma experiência, digamos, diferente na primeira viagem que fiz para Europa. Meus traços orientais me “camuflaram” por lá, pois muitos não desconfiavam que fosse brasileira – e de olhos puxados!

Dresden_rio_Elba_Alemanha

Rio Elba atravessa a cidade de Dresden, na Alemanha, que conheci na primeira viagem para a Europa (foto: Tatiana Maebuchi)

Como não quis ir completamente sozinha, decidi fazer um tour em grupo e conheci pessoas de diversos países, inclusive malaias (meninas da Malásia, isto é, asiáticas).

Conversando com o único sul coreano do grupo e um australiano, descobri que eles achavam que eu era chinesa. Quando disse que sou brasileira, eles ficaram surpresos e curiosos para saber como era o Rio de Janeiro (que não conheço ainda) e São Paulo.

Até uma das malaias confessou que achava que eu era chinesa. Depois, falou que – pensando melhor – eu parecia mais japonesa… (risos) Aí, outra observou que elas estão acostumadas a ver chineses e, por isso, conseguem diferenciar.

Muitas surpresas

O que me surpreendeu foi encontrar duas chinesas numa cidade minúscula da República Tcheca, Kutná Hora, e ter mais uma história para contar. Elas mexiam numa câmera semi-profissional e me viram passando com minha câmera pendurada no pescoço.

Sinceramente, acho que elas devem ter pensado que minha cara de oriental dizia que eu sabia usar este tipo de câmera e provavelmente tirar fotos boas. Uma delas perguntou, em Inglês, se eu poderia fotografá-las e respondi que tudo bem. A outra falou umas frases ininteligíveis com a primeira, que me perguntou se eu falava chinês (!). Pensei: “não acredito, até as chinesas me identificaram como uma compatriota!” Falei que não… Nos comunicamos em Inglês mesmo e consegui fotografar a cena que elas imaginaram.

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Visitei Kutná Hora, que está na lista do patrimônio mundial cultural da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) (foto: Tatiana Maebuchi)

Percebi que Praga, capital da República Tcheca, é um destino comum entre chineses. Vi diversos grupos andando pela cidade. E fui confundida como sendo chinesa mais uma vez.

Uma noite, decidi experimentar um chocolate quente famoso e andei a pé de volta ao hotel. No caminho, entrei em uma das poucas lojas de souvenir que estavam abertas naquele horário. Loja grande. Logo que cheguei, um senhor careca, porém aparentemente simpático, fez uma reverência e falou “oi, tudo bem?” em nada menos que em japonês, chinês e coreano. Na sequência, disse algo em alemão e retruquei – na mesma língua – que falo um pouco só. E, enfim, soltou uma frase em espanhol e respondi que não sou da Espanha, também na mesma língua. Ele desistiu de conversar comigo.

Surgiu outro homem que já perguntou de onde eu era, em Inglês. Ao responder “Brasil”, ele ficou surpreso e até falou uma palavra ou outra em Português. E, seguindo a “regra”, também pensou que eu fosse chinesa. Como já estava cada vez mais inconformada, tive de matar minha curiosidade e descobrir por que sempre me associam com a China. O diálogo foi algo assim:

Eu – Você é vendedor aqui, não é?
Vendedor – Sim.
Eu – Vocês devem estar acostumados a receber muitos turistas, inclusive chineses. A cidade sempre recebe muitos turistas.
Vendedor – É.
Eu – Então acho que vocês, por receberem sempre muitos turistas, poderiam diferenciar os chineses das pessoas de outros lugares pela roupa e o comportamento.
Vendedor – (acho que ele disse que não sabe diferenciar e reafirmou que ele imaginou que eu fosse chinesa)

Pois é, falta prestar um pouco de atenção. Só.

Mais histórias

Durante a viagem, teve ainda um episódio “decepcionante”. Aconteceu no elevador da torre do Relógio Astronômico, em Praga também. Desci, mas queria subir de novo. Estavam comigo um casal hispânico, uma pessoa na qual não reparei e um casal de brasileiros. A pessoa saiu e tanto eu quanto o homem hispânico demos passagem. Minha ideia era deixar todos saírem e continuar no elevador para subir novamente. Aí, a brasileira disse: “Go ahead! Go ahead!”, mas não saí. Não sei se ela pensou que não tinha entendido, talvez por ter achado que eu era chinesa, e segurou meu braço, me puxando para fora!

Fiquei revoltada, porém, não tive reação, não falei nada, só pensei em não gastar energia com uma discussão boba. Muita falta de respeito! Quando me lembro disso, fico com muita raiva!

Cheguei à conclusão de que essa viagem foi uma aventura. Fiquei surpresa em descobrir que a maioria das pessoas – de variadas nacionalidades – imaginavam que eu fosse chinesa. Ainda não sei se é por ter traços asiáticos, pelo comportamento, pela timidez, porque os chineses estão em todos os lugares… Assim, fica a dúvida: por que acham que sou chinesa?

– Leia aqui o primeiro capítulo e outros textos desta série de relatos. 😉

Texto editado e originalmente publicado em meu blog pessoal Reflexões Poéticas

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